Presidente, governador, dois senadores e deputados estarão na urna em outubro; em meio à avalanche de informações nas redes sociais, eleitor precisa redobrar a atenção com notícias falsas e conhecer quem pretende representar a população

As Eleições de 2026 vão muito além da escolha de nomes em uma urna eletrônica. O que estará em jogo são decisões que poderão influenciar diretamente os rumos do Brasil, dos estados e também a vida da população pelos próximos anos. Mais do que simplesmente comparecer ao local de votação, o eleitor precisa compreender a importância de cada escolha, conhecer os candidatos e saber quais responsabilidades serão entregues a cada representante eleito.
Neste ano, os brasileiros irão escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. Uma particularidade importante das Eleições de 2026 é que estarão em disputa duas vagas para o Senado em cada estado e no Distrito Federal. Isso significa que o eleitor terá dois votos para senador, além dos votos para deputado estadual, deputado federal, governador e presidente da República.
Cada um desses cargos possui funções diferentes e todas elas são importantes. O deputado estadual representa a população na Assembleia Legislativa e participa da criação e votação de leis estaduais. Também tem a responsabilidade de fiscalizar o governo do estado, acompanhar a aplicação dos recursos públicos e cobrar ações em áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento.
O deputado federal representa o estado na Câmara dos Deputados, em Brasília. É responsável por discutir e votar leis que valem para todo o país, participar das decisões sobre o orçamento da União e fiscalizar os atos do governo federal. Muitas decisões tomadas em Brasília chegam diretamente aos municípios e afetam a vida das pessoas, mesmo que nem sempre o eleitor perceba essa relação no dia a dia.
O senador também exerce uma função de grande responsabilidade. O mandato é de oito anos e, em 2026, cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes para o Senado. Além de participar da elaboração e votação das leis, o Senado possui atribuições importantes em decisões nacionais e na análise de temas relacionados ao funcionamento das instituições brasileiras. Justamente por ser um mandato longo, a escolha exige atenção ainda maior do eleitor.
O governador é quem comandará o governo estadual pelos próximos quatro anos. Sob sua responsabilidade estão áreas fundamentais da administração pública, como segurança, educação, saúde, infraestrutura, rodovias estaduais, investimentos e diversos serviços que chegam diretamente à população. No Paraná, por exemplo, será escolhido quem terá a responsabilidade de administrar o Estado e definir prioridades para os próximos anos.
Já o presidente da República é o chefe do Poder Executivo federal. Cabe ao presidente conduzir a administração do governo federal, definir políticas nacionais, apresentar propostas, administrar recursos da União e tomar decisões que afetam todo o país. Entretanto, é importante lembrar que a eleição não se resume à disputa pela Presidência. Governadores, senadores e deputados também terão enorme influência sobre aquilo que acontecerá no Brasil e nos estados nos próximos anos.
Por isso, o voto consciente começa muito antes do dia da eleição. Escolher um representante não deveria ser uma decisão tomada apenas pela simpatia, pela amizade, por um pedido de alguém próximo, por uma propaganda bem produzida ou por um vídeo que apareceu nas redes sociais. O eleitor precisa pesquisar quem é o candidato, conhecer sua história, verificar se já exerceu alguma função pública, analisar o que fez quando teve oportunidade, conhecer suas propostas e avaliar se aquilo que promete realmente pode ser realizado pelo cargo que está disputando.
Também é fundamental comparar o discurso com o comportamento. Durante uma campanha eleitoral, promessas aparecem com facilidade, mas administrar recursos públicos, elaborar leis, fiscalizar governos e representar milhares ou milhões de pessoas exige preparo, responsabilidade e compromisso. O voto pode levar apenas alguns segundos para ser registrado, mas as consequências dessa escolha podem permanecer por quatro ou até oito anos.
Outro grande desafio das Eleições de 2026 será a quantidade de informações que chegarão até o eleitor por meio do celular. WhatsApp, Facebook, Instagram, TikTok, Telegram, X e outras plataformas se transformaram em importantes espaços da disputa política. Uma informação pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos e, junto com informações verdadeiras, também podem circular boatos, montagens, conteúdos fora de contexto e notícias falsas.
O perigo está justamente no fato de que uma mentira bem montada pode parecer verdadeira. Ela pode chegar pelo grupo da família, ser enviada por um amigo, aparecer acompanhada de uma fotografia, de um áudio, de um vídeo ou até utilizar a imagem de uma pessoa conhecida. O simples fato de alguém de confiança ter encaminhado determinada informação não significa que ela seja verdadeira.
Com o avanço da inteligência artificial, o cuidado precisa ser ainda maior. Hoje já é possível criar imagens, reproduzir vozes, alterar vídeos e produzir conteúdos extremamente convincentes. Por isso, o eleitor não pode acreditar automaticamente em tudo aquilo que aparece na tela do celular. Antes de compartilhar qualquer conteúdo político, é necessário verificar de onde aquela informação saiu, quem publicou, quando foi publicada e se outros veículos ou fontes confiáveis também estão divulgando o mesmo fato.
Outro cuidado importante é observar a data das publicações. Notícias antigas podem voltar a circular meses ou até anos depois como se fossem atuais. Também é preciso desconfiar de mensagens excessivamente alarmistas, principalmente aquelas que utilizam frases como “repasse antes que apaguem”, “compartilhe para todo mundo” ou “a imprensa não vai mostrar”. Esse tipo de mensagem muitas vezes tenta provocar uma reação emocional antes que a pessoa tenha tempo de verificar se a informação é verdadeira.
Prints de telas também não devem ser considerados prova definitiva de nada. Uma imagem pode ser facilmente alterada e uma falsa manchete pode ser criada em poucos minutos. Da mesma forma, vídeos e áudios precisam ser observados com atenção, principalmente diante das novas possibilidades de manipulação digital. Na dúvida, a atitude mais responsável é simples: não compartilhar.
É natural que cada eleitor tenha suas preferências políticas, suas opiniões e os candidatos com os quais mais se identifica. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando a preferência política passa a valer mais do que a verdade. O candidato que apoiamos também pode e deve ser questionado. Uma informação favorável ao político de nossa preferência também precisa ser conferida. Da mesma forma, uma acusação contra um adversário não deve ser aceita automaticamente apenas porque confirma aquilo que alguém gostaria de acreditar.
Eleição não deve ser tratada como torcida organizada. A democracia exige liberdade de escolha, mas também responsabilidade. O cidadão precisa estar disposto a ouvir, pesquisar, comparar propostas e cobrar explicações. A verdade não pode mudar dependendo de quem está sendo beneficiado ou prejudicado por determinada informação.
Nos próximos meses, candidatos estarão nas ruas, nas redes sociais, no rádio, na televisão e em diferentes espaços pedindo a confiança da população. Será justamente nesse período que o eleitor precisará observar mais, pesquisar mais e desconfiar de soluções fáceis para problemas complexos.
As Eleições de 2026 definirão representantes que participarão de decisões sobre saúde, educação, segurança, impostos, investimentos, infraestrutura, desenvolvimento econômico, políticas sociais e utilização de bilhões de reais em recursos públicos. Escolher bem não significa que todos os problemas serão resolvidos, mas escolher sem conhecer aumenta o risco de entregar poder a quem não está preparado para exercê-lo.
No dia da eleição, a urna estará diante do eleitor por poucos minutos. A responsabilidade pela escolha, porém, começa muito antes. Informar-se, pesquisar, comparar candidatos, conferir fontes e não compartilhar conteúdos duvidosos são atitudes fundamentais para quem deseja exercer o direito ao voto de forma consciente.
Em 2026, mais do que escolher candidatos, o eleitor estará ajudando a escolher os caminhos que o Brasil e os estados seguirão nos próximos anos. Por isso, antes de apertar o botão verde da urna, vale lembrar de uma regra simples: não permita que uma mentira recebida pelo celular, uma promessa fácil ou a opinião de outra pessoa decida o seu voto por você.
Paulo Henrique Valentini
Jornalista - Reg. Prof. nº 0013764-PR
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