Prefeito tenta desviar o foco, mas os números e a realidade expõem a verdade em Engenheiro Beltrão.
Prefeito Garbim Júnior, de Engenheiro Beltrão, foto Tribunda do Interior
Os números são oficiais, assim como a realidade vivida pela população de Engenheiro Beltrão. Entre os anos de 2021 e 2025, o município arrecadou cerca de R$ 13,5 milhões em ITBI, um recurso próprio que entra diretamente no caixa da prefeitura.
É importante destacar que o ITBI não tem ligação com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), não se trata de repasse federal e tampouco de verba carimbada. Trata-se de um recurso livre, cuja aplicação depende exclusivamente da gestão municipal.
No mesmo período, a dívida do município apresentou crescimento significativo. Em 2020, o valor registrado era de R$ 13.996.844,28. Já em 2025, a dívida alcançou R$ 25.156.394,51, o que representa um aumento real de R$ 11.159.550,23.
Somando os valores arrecadados com ITBI ao aumento da dívida, chega-se a um montante aproximado de R$ 24,6 milhões. Diante disso, permanece a principal pergunta: onde foi parar esse dinheiro?
O prefeito apresentou duas versões para os números. Em um primeiro momento, afirmou que o aumento da dívida ocorreu devido ao pagamento de compromissos antigos. Posteriormente, declarou que os recursos do ITBI também teriam sido utilizados para essa finalidade.
No entanto, a realidade observada no município não acompanha esse discurso. Nos últimos anos, não foram registrados investimentos expressivos realizados com recursos próprios que justifiquem os valores apresentados.
As principais obras e ações visíveis à população têm origem em recursos do Governo do Paraná ou contam com participação do Governo Federal. Ou seja, o que foi executado não saiu diretamente do caixa da prefeitura e não explica a movimentação dos milhões citados.
Diante desse cenário, a conta não fecha. Se houve pagamento de dívidas, o esperado seria a redução do passivo. Se houve entrada significativa de recursos, os resultados deveriam ser visíveis em investimentos concretos.
O que se observa, porém, é o contrário: a dívida aumentou, não há evidência de aplicação proporcional dos recursos e as explicações apresentadas mudam conforme a pressão.
Mais do que discurso ou narrativa, os dados são objetivos. E quando os números não correspondem à realidade vivida pela população, o questionamento deixa de ser dúvida e passa a ser cobrança.
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