Com três pareceres consecutivos pela reprovação das contas no Tribunal de Contas e cerca de R$ 13,5 milhões arrecadados em ITBI desde 2021, população cobra transparência da atual administração

A divulgação de uma nota oficial pela Prefeitura de Engenheiro Beltrão classificando como "fake news" os questionamentos sobre financiamentos e endividamento do município não encerrou o debate público. Pelo contrário.
A análise dos relatórios oficiais mostra que a cidade convive atualmente com uma dívida superior a R$ 25 milhões, financiamentos acima de R$ 12 milhões e, ao mesmo tempo, arrecadou aproximadamente R$ 13,5 milhões em ITBI entre 2021 e 2025.
Diante desses números, a população tem feito uma pergunta simples: para onde foram os recursos e quais investimentos efetivamente foram realizados com esse dinheiro?
A evolução da dívida
Os relatórios oficiais mostram que a Dívida Consolidada do município atingiu R$ 24.859.914,20 ao final de 2023.
Desse total:
- R$ 11.779.670,21 correspondiam a financiamentos;
- R$ 13.080.243,99 correspondiam a parcelamentos e renegociações de dívidas.
Em 2024, os números aumentaram.
A Dívida Consolidada passou para R$ 25.081.380,59.
Os financiamentos subiram para R$ 12.001.136,60.
Já em 2025, a Dívida Consolidada atingiu R$ 25.156.394,51.
No mesmo período, os financiamentos registrados chegaram a R$ 12.076.150,52, enquanto os parcelamentos e renegociações permaneceram em R$ 13.080.243,99.
Em resumo, Engenheiro Beltrão encerrou 2025 convivendo com uma dívida superior a R$ 25 milhões.
O que os relatórios mostram e o que ainda não explicam
Os demonstrativos deixam claro que existe uma dívida milionária.
Também deixam claro que existem mais de R$ 12 milhões em financiamentos registrados nas contas municipais.
O que os relatórios não explicam de forma acessível para a população é a composição detalhada desses financiamentos.
A população não encontra facilmente respostas para perguntas como:
- Quais contratos compõem os R$ 12 milhões em financiamentos?
- Qual o valor individual de cada contrato?
- Qual a instituição financeira responsável?
- Quais obras receberam esses recursos?
- Quanto já foi pago?
- Quanto ainda resta pagar?
Essas são perguntas legítimas e de interesse público.
Os R$ 13,5 milhões de ITBI
Outro número que chama atenção é a arrecadação de aproximadamente R$ 13,5 milhões em ITBI entre 2021 e 2025.
Diferentemente de muitas transferências vinculadas, o ITBI é uma receita de livre aplicação, permitindo que a administração utilize os recursos em diversas áreas do município.
Por isso, cresce o questionamento da população sobre quais investimentos estruturantes foram executados com esses recursos ao longo dos últimos anos.
A dúvida é ainda maior porque muitos moradores não conseguem identificar obras de grande impacto realizadas exclusivamente com recursos próprios do município durante o mesmo período.
A responsabilidade da gestão Garbim
Independentemente da origem de cada contrato que compõe a dívida municipal, existe um fato inquestionável.
O prefeito Garbim assumiu a Prefeitura de Engenheiro Beltrão em janeiro de 2021.
Desde então, administra as finanças municipais há mais de quatro anos.
Foi reeleito pela população e continua exercendo o comando da administração pública.
Por essa razão, a responsabilidade pela transparência das informações financeiras é da atual gestão.
É a administração atual que possui acesso aos contratos.
É a administração atual que possui acesso aos processos administrativos.
É a administração atual que possui acesso aos documentos que detalham cada financiamento, cada parcelamento e cada despesa realizada com recursos públicos.
Por isso, cabe à gestão apresentar respostas claras à população.
Três pareceres consecutivos pela reprovação das contas
A preocupação com as finanças municipais não surge apenas dos números apresentados nos relatórios.
A gestão Garbim acumula pareceres prévios pela reprovação das contas referentes aos exercícios de 2022, 2023 e 2024 emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná.
Embora os processos sigam seus trâmites legais, a sequência de pareceres desfavoráveis representa um importante sinal de alerta para qualquer administração pública.
Quando os órgãos de controle apontam problemas de forma repetida, aumenta naturalmente a necessidade de fiscalização por parte da sociedade.
Questionar não é espalhar fake news
Ao invés de responder detalhadamente aos questionamentos apresentados pela população, a Prefeitura optou por divulgar uma nota classificando as críticas como "fake news".
Entretanto, os números citados nesta reportagem não são fruto de boatos, mensagens de WhatsApp ou publicações anônimas.
Eles constam nos próprios relatórios oficiais divulgados pelo município.
Questionar dívida pública não é fake news.
Questionar financiamentos não é fake news.
Questionar a aplicação de recursos arrecadados pelo município não é fake news.
Questionar é fiscalizar.
Questionar é exercer cidadania.
Questionar é um direito de todo contribuinte.
As perguntas que continuam sem resposta
Após a análise dos relatórios e dos números oficiais, permanecem algumas questões fundamentais:
- Quais contratos compõem os R$ 12.076.150,52 em financiamentos registrados em 2025?
- Quais investimentos receberam esses recursos?
- Quais benefícios concretos foram entregues à população?
- Quanto ainda resta pagar dessa dívida?
- Como foram aplicados os aproximadamente R$ 13,5 milhões arrecadados em ITBI entre 2021 e 2025?
- Por que a população encontra tanta dificuldade para obter respostas objetivas sobre as finanças municipais?
- Por que questionamentos baseados em relatórios oficiais são tratados como fake news em vez de serem respondidos com documentos e prestação de contas detalhada?
Mais do que uma disputa política, essas perguntas envolvem dinheiro público.
E quando se trata de dinheiro público, transparência não deveria ser uma escolha da administração.
Deveria ser uma obrigação permanente perante a população.
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